Rio Pinhão

Que há entre mim e ti
senão este beijo antigo,
ondulado e íngreme
de montes plurais?
Curvas eternas,
de memórias gigantes.
Na frescura dos beijos,
arcaicos,
de água,
e Sol,
talvez de xisto,
cristalizaram os gemidos
do teu ventre inchado
pendurado
nos socalcos da paisagem.
E no teu gesto comum de parir,
nasceu um rio
colectivo,
pessoal e
lírico,
tão só e selvagem,
que nos ensina
a correr
e a desaguar
calmamente...
no Douro.

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