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Caminhos

Estou tão farto de tudo… mas não de nós ou dos nossos caminhos estreitos, silenciosos, onde o som lesto e caído de uma castanha no chão, anuncia um parto breve, dorido, arcaico e brotado, tão docilmente derramado de castanheiro secular.

Tristeza de Outono

É tão triste o outono nestas folhas derrubadas e nos versos amarelos que não consigo acabar. É menos triste o outono do que a espera nos meus olhos pardos, tristes, apagados em crescente estiolar.

Deixar-me estar

Deixar-me estar, porque hei-de partir se há sempre um regresso e entre mim e o vocábulo um antigo sopro, geralmente de signos, ou simplesmente de hálitos de tanto escutar o significante e o significar. Deixai-me estar estou a respirar o nevoeiro que cobre em manto húmido a terra que me contém.

Inverno

Se queres saber a verdade hoje já não tenho tempo, ou não tenho o teu tempo, da imagem sem palavras. Do meu tempo antigo, do tempo de que são feitos os idosos, retenho só palavras e memórias simples, talvez de livros ou da cor ou da luz ou da água. Retenho a Cal, a Terra e o Xisto. Retenho o Calor. O calor submerso nos teus olhos quando de sede nos saciávamos entre os juncais do rio, num manso alagadiço de sorrisos.

Flor de laranjeira

Deixa-me estar, não vou! Na Primavera nunca abandono o cheiro da flor da laranjeira.

Sombras

Não me acordes deixa-me estar neste

Nascimento

Juncos, são da cor dos juncos as memórias.